Peregrinando – A beleza por trás da beleza das Serras Gaúchas.

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Neste início de fevereiro, fizemos, eu e meu marido, a nossa primeira peregrinação. Numa data bem especial pra nós. Nosso aniversário. Há 40 anos, começamos uma história juntos. E quanta coisa aconteceu desde então. Parece que foi ontem…

Fomos lá pra pontinha do nosso Brasil. Peregrinar pelas Serras Gaúchas.

Sempre ouvimos bastante sobre as cidades de Gramado e Canela. Tão visitadas. Especialmente no final do ano. Nas festividades de Natal. Aí surgiu a oportunidade de conhecê-las. Além de outras vizinhas. Mas, de uma forma diferente.

Se fôssemos pensar racionalmente, em função de uma série de demandas pessoais e profissionais, nem era o momento de irmos. Mas as coisas foram se moldando de forma que a oportunidade aparecesse e se concretizasse.

E aí tivemos o privilégio de irmos em grupo, conhecer a beleza por trás da beleza das Serras Gaúchas.

Que presente! Que bênção! Vem que eu te conto 🙂

Um breve parênteses

Gostaria de abrir um breve parênteses.

Já tivemos oportunidade de conhecer outros lugares lindos também. Mas estávamos em um outro momento de vida. E não vimos e apreciamos com os olhos que temos hoje.

Viajamos sempre só nós dois ou com nossas filhas. Uma viagem em grupo, de peregrinação, estava um pouco fora do nosso contexto. Não conhecíamos as pessoas até então. Apenas o nosso diretor espiritual. Seria uma viagem diferente. Não criamos expectativas. Só queríamos ir. Ter essa vivência.

E assim seguimos. No nosso caminho em busca de conhecer mais sobre a nossa Igreja.

E sabe por quê? Porque fomos resgatados.

Sim, fomos resgatados.

Esse nosso “resgate” aconteceu há quase 4 anos. Após um acidente muito sério com o meu marido. O que se sucedeu depois, não conseguimos explicar de forma racional. Simplesmente sentimos que foi a mão de Deus dando uma chacoalhada nas nossas vidas e dizendo: “Ei! Prestem atenção! Hora de ajustar a rota meus filhos”.

Tudo aconteceu num final de semana chuvoso, na beira da praia. Finalizando uma onda (meu marido gostava muito de surfar. ACHO que ainda gosta. Mas não surfa mais).

Médicos abençoados foram colocados em nossos caminhos. Mas eles não conseguiram explicar como meu marido saiu ileso. Sim. A ciência ficou sem palavras.

Conto sobre o ocorrido em um outro blog. Está num destaque do meu Instagram. Ainda vou compartilhar por aqui.

Nessa época, estávamos meio que como “ovelhas desgarradas”. Vivendo nossas vidas, trabalhando, criando nossas filhas… Sem excessos, sem vícios, sem fazer mal a ninguém… Porém, muito afastados dEle.

E quando algo assim acontece e muda a nossa rota em segundos… Quando não existe uma explicação racional, lógica… Quando a gente vê que de fato trata-se de um milagre… Não dá para “desver”.

Nessa altura, nosso coração transbordava de gratidão.

Surgiu então dentro de nós um desejo de conhecermos melhor as “coisas” do céu. Seus mistérios… O que não conseguíamos enxergar mas sentíamos e sabiamos que existiam.E quanto mais conhecíamos, mais queríamos conhecer e estar perto.

A nossa visão se ampliou, clareou.

Sim, foi Ele. Por isso, afirmo. Fomos resgatados. A partir de então voltamos para a nossa Igreja. E tem sido um caminho lindo.

Nossa “andança” pelas Serras.

Chegamos bem no dia de Nossa Senhora do Caravaggio. O Santuário de Farroupilha estava em festa pois ela é padroeira dos Agricultores. A devoção veio com os imigrantes italianos no final do século XIX. É conhecida por ser “socorro dos aflitos”. A nossa “andança” pelas Serras começou por lá.

Visitamos a Igreja de São Pelegrino em Caxias do Sul. Um céu na terra. Belíssima. Em sua arquitetura e pinturas. Nos faz querer olhar cada vez mais pro alto.

Igreja de São Pelegrino em Caxias do Sul

A Matriz de Caxias nos recebeu muito calorosamente. Exatamente no dia de São Brás. Tivemos a bênção da garganta e depois conversamos um pouco com Rosalina Cassol Schvarstzhaupt, Coordenadora dos Ministros Extraordinários da Eucaristia que nos contou sobre a história da Catedral e dedicação dos imigrantes na sua construção. Um testemunho de fé.

Benção da Garganta – Matriz de Caxias do Sul

Em Nova Petrópolis tivemos nossa Missa particular. E não sei por que ainda me surpreendo. Fomos muito tocados. O Espírito Santo em nosso diretor espiritual Padre Dennys Pimentel (que nós chamamos Frei, não tem jeito rsrs) e no nosso companheiro de viagem que estava responsável pela música, André, trabalharam de um jeito que foi difícil conter as lágrimas rsrs.

Na Catedral de Canela, outra Celebração linda e tocante. Também presidida pelo nosso Frei Dennys. Mas, aberta para quem quisesse participar. E mais uma vez, pessoas foram tocadas. Olhei pro lado e vi “marmanjo” chorando rsrs. E quem disse que homem não chora? Inclusive o Gaúcho?

Uma moradora de Canela que estava passando pela frente de Igreja na hora, resolveu entrar e assistir à Missa. Não sei o momento de vida dela. Mas as lágrimas vieram sem cessar. Algumas do nosso grupo perceberam e chegaram junto. A acolheram. E ela só sossegou quando pode conhecer e dar um abraço no nosso Frei. E agradeceu, agradeceu… ainda com lágrimas nos olhos. Muito tocante. Lindo de ver.

Esse foi apenas um recorte dos momentos de peregrinação vivenciados.

Enquanto escrevo, veio no meu coração o desejo de esclarecer algumas coisas por aqui…

Aos meus irmãos de fé. Mas que são de outras Igrejas. Quero esclarecer algumas “coisas”.

Aqui o meu propósito não é catequizar, fazer você acreditar no que eu acredito, converter… não é isso. É apenas esclarecer algumas afirmações em relação à nossa Fé Católica que são distorcidas e proclamadas simplesmente por “achismos”. Por reprodução da fala de alguém que não conhece a nossa doutrina. Então, é com amor no coração que eu gostaria de colocar alguns “pingos nos Is”.

As nossas imagens. Sim temos muitas imagens. Nas nossas Igrejas, em nossas casas… Mas são como o próprio nome diz: IMAGENS. Representações em 3D de pessoas que viveram e praticaram os ensinamentos de Cristo. Que se desapegaram dos bens materiais, dos desejos carnais. São representações de pessoas que se doaram aos outros. Foram martirizados. Morreram defendendo a nossas fé. Como ignorá-los? Eles nos inspiram. Nos levam até Jesus. Os consideramos nossos intercessores sim. Mas não são deuses. Não os idolatramos.

E se alguns irmãos católicos os usam como amuleto, isso seria superstição. E a superstição não cabe na nossa doutrina Católica.

Deus é um só. É trino. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. É a Ele que adoramos. Ele está no centro de tudo. “Só Vós sois o Santo, Só Vós o Senhor, Só Vós o Altíssimo, Jesus Cristo” É isso o que proclamamos em nossas Missas.

Lembram da Arca da Aliança? Quem pediu a Moisés para fazê-la? Querubins nos dois extremos e dentro as Tábuas da Lei, um pote de Maná e a vara de Aarão. E o que representava? A presença de Deus no meio do povo. Pois é, foi Deus quem pediu.

Jesus Cristo chegou e com ele a nossa Igreja Católica. Adoramos ao Santíssimo. Ele está presente lá.

Certa vez uma amiga querida de uma igreja protestante disse meio indignada: “Eu não entendo como vocês colocam uma imagem horrorosa dessas de Jesus crucificado no meio da Igreja. Ele está vivo!” Respondi: Sim, ele está vivo. E essa imagem até que está “bonitinha”. Porque o negócio foi feio. Só havia sangue, pele flagelada, músculos expostos, dilacerados. Essa imagem fica aí pra que sempre lembremos o tamanho do sacrifício que Ele fez por nós.

É uma forma de expressar a entrega e o amor de Jesus, e não significa que Ele está morto. É um símbolo da salvação e da vitória sobre a morte

Maria não foi uma mulher como todas as outras…

Mas vocês adoram Maria. E ela foi apenas uma mulher como qualquer outra”. Assim, pensam muitos dos nossos irmãos protestantes. Para não dizer a maioria.

Não nos comparemos a Maria. Ela foi escolhida por Deus, desde o início de tudo, para gerar Jesus. Se a terra por onde Jesus passou é chamada de Terra Santa, o que dizer do ventre em que Ele esteve? Definitivamente, Maria não é uma mulher qualquer. Pedimos que a respeitem.

Temos um amor imenso por ela. Consideramos a nossa Mãe. Rainha do Céu e da Terra. Mãe da nossa Igreja. Nossa intercessora. Lembram das bodas de Caná? Quem foi atrás de Jesus e ficou “perturbando” o juízo dele dizendo que o vinho tinha acabado? rsrs. O próprio Jesus disse que não estava pronto para aparecer. Que aquele não era o momento. Mas mesmo assim, por insistência dela, Ele cedeu. Esse é só um exemplo.

Obviamente, nada teria acontecido se Jesus não quisesse. Entendemos que tudo só acontece por vontade e/ou permissão dEle. Isso é muito claro.

Vou parar por aqui com o desejo sincero de que haja respeito entre todos nós que declaramos ser seguidores de Jesus. Muitas vezes nos deparamos em nosso meio cristão com os “doutores de lei”, cheios de si, soberbos… E onde está a humildade que Jesus sempre pregou? Fica a reflexão.

E quem disse que peregrinar é “só” rezar?

Como estar nas Serras Gaúchas e não querer conhecer sobre a história da cidade, visitar as vinícolas, passear pelas ruas, conhecer os parques, os jardins e comer as delícias da região?

Sim! Fizemos tudo isso também, é claro rs.

Lugares belíssimos.

A guia local, maravilhosa! Com sua forma peculiar de contar-nos sobre a colonização, o trabalho árduo dos imigrantes… em alguns momentos conseguiu nos transportar no tempo.

E afinal, que beleza é essa por trás da beleza?

Pois bem, a beleza por trás da beleza esteve na forma como fomos acolhidos pelas pessoas do Rio Grande do Sul. Em todas as Missas, faziam questão de nos cumprimentar, abraçar, nos dar as boas vindas…

Está na história dos antepassados deles. Dos imigrantes alemães e Italianos que vieram pro nosso país, motivamos por promessas (ilusórias) de uma vida melhor e que se depararam com desafios imensos. Foram os colonizadores dessa região. Trabalharam muito. E têm um orgulho imenso da sua história. Dos seus antepassados. São sempre lembrados. E isso é bonito de ver.

A beleza está nas suas Igrejas que nos transportam e nos fazem querer o céu.

Está na fé daqueles que em pleno expediente de trabalho, separam um tempinho e vão à Missa do Trabalhador ao meio dia.

A beleza esteve nos nossos momentos de oração em que fomos tocados no nosso íntimo com o desejo de continuar no nosso caminho de buscar a semelhança com Jesus. Pretencioso isso, não?

Mas não fomos feitos à Sua imagem e semelhança? Somos livres, responsáveis por nossas escolhas. Se nossa porta estiver fechada, Ele não vai entrar. Mas… não há como O conhecermos e não desejarmos sermos parecidos com Ele. Mesmo com toda a nossa pequenez…

A beleza esteve em nossas partilhas. Cada um com a sua história, dores, tribulações, momentos de vida… Uma troca riquíssima. E aqui eu não estou falando em dinheiro.

A beleza esteve no motorista do nosso ônibus, Sr. Netinho (na verdade o ônibus era dele. Olha a minha ousadia rsrs) que transbordou de gentileza.

Foi uma viagem de poucos dias. Porém intensa e de muita troca.

Não sabemos quando será a próxima e nem se será com o mesmo grupo, agência de viagem ou diretor espiritual. O que sabemos é que esta viagem nos marcou. O grupo nos acolheu. Foi especial.

O início de muitas outras peregrinações, quem sabe? 🙂

O certo é que ficou com um gostinho de “quero mais”.

O que posso dizer é que havendo próximas, vou continuar contando por aqui. Combinado? 🙂

Por, Fernanda Lemos

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